ANTICONCEPCIONAL X FEMINISMO


A revolução sexual dos anos 60 está ligada ao advento da pílula anticoncepcional. Com o início de sua comercialização, as mulheres tiveram autonomia de escolher o momento de ter filhos, e o sexo passou a ser encarado não só para reprodução, mas também para o prazer do casal. Mas será que foi isso que aconteceu? Tivemos liberdade durante todos esses anos? O movimento feminista da época foi muito importante, e aprendemos muito com ele, mas hoje questiono a maneira como o anticoncepcional foi apresentado para nós durante todos esses anos.

Mas como assim? Você é contra o anticoncepcional? Lógico que não! Quero mostrar para vocês uma perspectiva diferente. Muitas mulheres usam anticoncepcional sem nem mesmo ter relação sexual, já atendi várias, e sem indicação médica clara, sem nem saber o que está acontecendo com seu corpo! Sabe aquele ovário policístico diagnosticado na adolescência? Nem sempre precisa de anticoncepcional para o resto da vida! E qual o grande problema de usar anticoncepcional sem indicação? Além do risco de trombose, já muito comentado, não podemos esquecer que ele diminui a libido e pode levar até a depressão em algumas pacientes. Deixamos de ser cíclicas com o seu uso, o que para muitas mulheres isso pouco interfere, mas para algumas pode trazer uma repercussão enorme em toda a sua vida. Por isso a importância de conhecer nosso corpo, e questionar as medicações que fazemos uso.

Tenho a impressão que toda uma geração de mulheres teve seu autoconhecimento “cancelado” pelo uso de anticoncepcional. A menina começa a menstruar e logo já começa a usar anticoncepcional para regular ciclo, passa um tempo, começa a namorar e já continua usando, passando anos desse modo. Enquanto os meninos não tem interferência nenhuma em sua libido, no seu humor, e são estimulados a namorar e a se conhecer. Precisamos questionar se esse é o modo correto da liberdade feminina, impor anticoncepcional sem ensinar educação sexual? Fazer cara feia quando mulher compra camisinha... tratar sexo como tabu... tantas coisa a serem mudadas, mas acredito que estimular o autoconhecimento, a informação e a educação sexual é um caminho para real liberdade sexual feminina.

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